É redundante, nesta altura, comentar sobre a nossa íntima e constante ligação à ciberesfera. Para qualquer aspeto significativo ou trivial da vida contemporânea – trabalho e comércio, sexo e relações, fitness e saúde, cultura e entretenimento – existe uma app, site ou ferramenta que promete otimizar a nossa busca por ele, maximizando então as nossas chances de sucesso e autorrealização. Em troca da orientação do algoritmo, cedemos dados que mapeiam as nossas vidas – as nossas localizações, rotinas diárias, hábitos de consumo, históricos de pesquisa, conversas – e, assim, concordamos com uma “nova ordem económica que reivindica a experiência humana como matéria-prima gratuita” para práticas comerciais ocultas de extração, previsão e vendas.”
Definido por Shoshana Zuboff como “uma ameaça tão significativa para a natureza humana no século XXI como o capitalismo industrial foi para o mundo natural nos séculos XIX e XX,” o capitalismo de vigilância ameaça estabelecer-se como a “lógica dominante de acumulação da nossa era.” Dada a sua abrangência, alcance e voracidade, é difícil imaginar uma questão mais urgente para reunir, analisar e responder com rigor e criatividade.
Para o primeiro Círculo de Conversa do Centro, With Our Heads in The Cloud, reunir-nos-emos nos sábados – 5 e 12 de outubro, das 11h às 13h30 – para discutir a vida sob o capitalismo de vigilância, envolver-nos-emos criticamente com a literatura escrita dentro e em resposta a ele, e obtermos conhecimento prático que nos possa ajudar a navegar com mais astúcia.
Dado o pequeno tamanho da roda de conversa, o espaço é limitado. Embora não existam taxas de acesso para eventos no Centro, os visitantes não associados podem contribuir com uma doação sugerida de 5€, equivalente à quota mensal dos associados. Os textos serão fornecidos (em inglês). Para se inscrever ou pedir mais informações, envie um email para info@aocentro.com até 20 de setembro.